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A história por trás de The Writing On The Wall, nova música do Iron Maiden

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Por Bruno Prado
Em 21/07/21

O Templo Sagrado de Salomão – rei de Israel e Judá – foi um centro religioso do antigo povo hebreu. De acordo com a Torá, ele foi erguido onde Abraão havia oferecido Isaque como sacrifício e, entre outras relíquias, supostamente abrigou o óleo sagrado, as tábuas dos 10 mandamentos, o cajado de Aarão e a arca da aliança (sim, aquela mesma do filme Caçadores da Arca Perdida, do Indiana Jones).

Em 587 a.C. o templo foi destruído por Nabucodonosor II – rei do império babilônico e avô de Baltazar – após o cerco de Jerusalém.

OK. Mas o que tudo isso tem a ver com a nova música do Iron Maiden?

É o que você vai descobrir agora!

[N.A.: não há pretensão de fazer julgamento da parte musical e nem mesmo visual relacionada ao clipe da música. Esse texto baseia-se apenas na letra e em sua precisão histórica]

Por diversas vezes Bruce Dickinson deixou claro em seus discursos durante os shows que todo império tem seu fim. Sejam eles culturais, financeiros ou territoriais. Seria um “Easter Egg” do que ele estava planejando?

A letra de The Writing on The Wall demonstra um certo desejo de associar um fato histórico, como a queda do império babilônico, aos acontecimentos atuais. Isso fica muito mais evidente no clipe do que na música, contudo, vale a pena analisar como Bruce (em parceria com Smith) transformou (mais) uma história bíblica em música.

The Writing On The Wall
[A escrita na parede]

Ao final do texto falaremos mais sobre esta “parede” e revelaremos o que estava escrito nela. Antes, porém, vamos analisar os principais pontos da música:

Across a painted desert lies a train of vagabonds
All that’s left of what we were it’s what we have become
[Do outro lado de um deserto pintado está um trem de vagabundos] [Tudo o que sobrou do que éramos é o que nos tornamos]

O império babilônico localizava-se onde hoje estão partes do Iraque, Israel, Líbano, Palestina, Síria e Arábia Saudita, portanto, rodeado de áreas desérticas. “Deserto pintado” descrito na letra seria uma metáfora sobre reconstrução contemporânea de um retrato do nosso passado, onde o “trem de vagabundos” (nós, cidadãos comuns) continua transitando entre diferentes impérios.

Em “Tudo o que sobrou do que éramos” Bruce talvez tenta demonstrar que fomos desconstruídos, uma vez que “sobras” são coisas que restam daquilo que se destrói ou se consome.

Once our empires glorious but now the empire’s gone
The dead gave us the time to live and now our time is done
[Uma vez nossos impérios foram gloriosos, mas agora o império se foi] [Os mortos nos deram tempo para viver e agora nosso tempo acabou]

A concepção de império é obviamente relacionada à Babilônia, um império glorioso que ruiu, visto que a própria música a menciona mais abaixo. No entanto, afirmar que o “império se foi” pode ser tanto uma alusão à influência da política externa do “império” americano, quanto à presença (e influência) do império britânico sobre as demais nações (isso fica mais evidente no clipe, ao retratar cuecas com a bandeira do Reino Unido e um suposto presidente americano, entre outros detalhes, porém, numa parte posterior da letra veremos outra referência).

O trecho “os mortos nos deram tempo para viver” pode se referir ao exílio dos povos hebreus, que após o cerco de Jerusalém, foram exilados e deportados (muitos foram mortos também). Este período ficou conhecido como “Exílio Babilônico / Cativeiro Babilônico” e só terminou após a queda do império da Babilônia e a morte de Baltazar que, segundo a lenda, foi profetizada na tal “escrita da parede”.

Now we are victorious we’ve become our slaves
A land of hope and glory building graveyards for the brave
[Agora somos vitoriosos, nós nos tornamos nossos escravos] [Uma terra de esperança e glória construindo cemitérios para os bravos]

No começo do texto falamos sobre o Templo de Salomão e sua importância religiosa para o povo hebreu. Pois bem. Foram os babilônios que o destruíram após a conquista de Jerusalém, profanando o templo.

Essa “terra de esperança” conquistada pelo império da Babilônia certamente tornou-se “um cemitério dos bravos”, já que muitas revoltas ocorreram devido à insatisfação do povo (por exemplo, Gedalias, governador da província de Jeúde [Yehud] foi assassinado apenas dois meses depois de ser nomeado ao cargo).

Have you seen the writing on the wall
Have you seen that writing
Can you see the riders on the storm
Can you see them riding ~ can you see them riding
Riding next to you
[Você viu a escrita na parede?] [Você viu aquela escrita?] [Pode ver os cavaleiros na tempestade?] [Pode vê-los cavalgando ~ Pode vê-los cavalgando?] [Cavalgando perto de você]

Chegamos ao refrão e ao enredo principal. É o ponto onde o Belshazzar’s Feast (o banquete/festa de Belsazar) e o título da música se encaixam. A Festa de Belsazar (chamado também de Baltazar) é uma passagem do capítulo 5 do livro de Daniel, um dos livros do Tanakh (judaico) / antigo testamento (cristão) da Bíblia.

Reza a lenda que Baltazar deu uma grande festa para mil de seus lordes em comemoração à destruição do Templo de Salomão, e mandou trazer os vasos de ouro e de prata que Nabucodonosor, seu pai (ou avô, pois há uma controvérsia a respeito) havia saqueado na destruição do templo, para que bebessem neles. Isso foi considerado uma afronta a Deus.

A Festa de Baltazar, 1635, Rembrandt (National Gallery, Londres)
A Festa de Baltazar, 1635, Rembrandt (National Gallery, Londres)

No meio do evento uma mão aparece (segundo escrituras sagradas, seria a própria mão de Deus) e escreve a seguinte frase na parede do palácio real, atrás do trono de Baltazar: “Mene, mene. Tequel. Parsim”.

Nenhum sábio do reino conseguiu ler e interpretar o que dizia a tal frase na parede. Daí o motivo do questionamento “vistes aquela escrita na parede?”

Desesperado e curioso, diante de tal fenômeno supostamente espiritual, Baltazar mandou chamar Daniel, um afamado ancião e amigo de seu falecido pai, e o ofereceu diversas vantagens para que traduzisse a tal frase que ninguém soube ler. Ao perceber que Baltazar se tornou arrogante e que blasfemava contra Deus, Daniel leu e interpretou a escrita da parede da seguinte forma:

“Mene: Deus contou os dias do teu reino e o fez chegar ao fim.
Tequel: O rei foi pesado na balança e achado em falta (algo como estar em débito, prestes a sucumbir).
Parsim: Teu reino foi dividido e entregue aos Medos e aos Persas”

É por isso que a letra fala de cavaleiros na tempestade (que está por vir).

Holding on to jury is that all we ever know
Ignorance our judge and jury all we’ve got to show
[Manter ao júri é tudo o que sabemos] [Ignorância ao nosso juiz e júri, tudo o que temos a mostrar]

Essa parte da música referencia a ignorância da humanidade perante Deus e o julgamento final. Com o passar do tempo a frase ‘a escrita na parede’ se tornou uma expressão idiomática popular, referindo-se ao prenúncio de qualquer desgraça, infortúnio ou fim iminente. Uma pessoa que não vê ou se recusa a ‘ver a escrita na parede’ está sendo descrita como ignorante dos sinais de um evento cataclísmico que provavelmente ocorrerá em um futuro próximo (essa ignorância é mais uma referência sutil de um elo entre os impérios do passado e do presente).

From Hollywood to Babylon ~ holy war to kingdom come
On a trail of dust and ashes ~ when the burning sky is done
[De Hollywood à Babilônia ~ Guerra santa ao reino, venha] [Em uma trilha de poeira e cinzas ~ Quando o céu em chamas estiver pronto]

Aqui é feita uma invocação à guerra santa de Hollywood à Babilônia, isto é, em diversos cantos do mundo atual.

A referência a Babilônia é algo óbvio e natural, visto que é a inspiração principal para a música, entretanto, a citação a Hollywood certamente está relacionada ao imperialismo norte-americano, mas não restrita somente a ele, visto que “guerras santas” ocorrem por todo o planeta.

A tide of change is coming and that is what you fear
The earthquake is a coming but you don’t want to hear
(You’re just too blind to see)
[Uma maré de mudança está chegando e é isso que você teme] [O terremoto está chegando mas você não quer ouvir] [(Você é cego demais para ver)]

Na história real a “maré de mudança” chegou para os babilônios mais cedo do que imaginavam. Segundo a Bíblia, na mesma noite do banquete de Baltazar a profecia da parede se cumpriu. A Babilônia caiu diante de Ciro, o Grande, rei dos persas, e Baltazar foi morto.

O terremoto é uma referência à queda do império que, devido à corrupção e as imoralidades vividas na corte, provocaram o descontentamento do povo e facilitou ainda mais a conquista persa. Chegava ao fim mais um grandioso império.

A Festa de Baltazar, John Martin, c. 1821 (Yale Center for British Art)
A Festa de Baltazar, John Martin, c. 1821 (Yale Center for British Art)

PS: No clipe, 4 encapuzados cavaleiros do apocalipse, comandados pelo “profeta” Eddie, atravessam o deserto para derrotar um adversário político (desenhado como um presidente americano, evidenciado pela placa ‘Pres 1’ do carro e por bandeiras dos EUA), o qual oprime e desdenha do povo. Mesmo assim, a mensagem principal serve a qualquer império, governo ou pessoa: se alguém falha em reconhecer o inevitável, tudo terminará mal para ele.

Fontes:
IncrivelHistoria
Infoescola – Civilizacoes Antigas
Infoescola – Belsazar e a escritura na parede
Bibliaonline
Loudwire

Fonte original: Whiplash

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